quarta-feira, 14 de março de 2012

A derrota do petismo em Porto Alegre e o cavalo selado que a oposição nacional aguarda

Expoentes do modo petista de governar, Olívio primeiro e Lula, depois, levaram o PT a bem sucedidas administrações.  A derrota do petismo na capital gaúcha em 2004 ainda não foi superada
Durante muitos anos a opinião pública foi "informada" pela imprensa que aqueles que se apresentavam como opositores não estavam aptos para propor nada de novo, apenas eram contra "tudo aquilo que estava posto".
O PT demorou cerca de 20 anos para aprender a lidar inteligentemente com esta estratégia político midiática.
FHC venceu duas eleições montado em um plano econômico e na ajuda indispensável da imprensa conservadora brasileira, que fazia a entrega domiciliar de um produto bruto, a oposição brasileira, de esquerda, como entes políticos raivosos e "sem proposições" ao conjunto majoritário da sociedade brasileira.
O eleitor tinha medo, pavor, em sua maioria, de Lula, de Brizola chegar ao comando do país.

A ideia predominante da situação e da imprensa era apresentá-los como os "do contra" e capitalizar a acomodação da população com o contexto econômico e social vigentes, mesmo que negativos, para dizer, nas entrelinhas dos discursos políticos e manchetes amedrontadoras, que se estava "ruim com eles, pior sem eles", os governantes da hegemonia que dominava o poder central até então.

A ascenção do Petismo em Porto Alegre
A vitória do PT em Porto Alegre com Olívio Dutra em 1988 e a sequência de ótimos governos na capital gaúcha, garantiram quatro administrações petistas, dentre elas duas de Tarso Genro, que mudaram a capital o modo de fazer política no Rio Grande do Sul e trouxeram a capital dos gaúchos para outro patamar, além de lançarem estes políticos para o nível nacional da política brasileira.

As administrações petistas de Porto Alegre transformaram-se na "etiqueta vitoriosa" do "modo petista de governar".  O PT venceu a desconfiança e apresentou proposições políticas reais, sentidas pelo conjunto majoritário da população, fez funcionar, entre tantos outros mecanismos de participação popular, o orçamento participativo e recebeu o voto de confiança por 16 anos.

Mas nas disputas nacionais, o PT e a esquerda, continuavam sendo vistos como uma "oposição irresponsável", que jogava para o povo ideias ultrapassadas e perigosas, que desmontariam a república brasileira e catapultariam o país ao caos.
FHC venceu sua segunda eleição baseada nesta representação monstruosa que a imprensa fez da chapa Lula/Brizola, pois o país passava por uma crise que só fazia aumentar e o presidente tucano percebia a desconfiança do povo em pesquisas de opinião.  Mesmo assim venceu o "pior com eles..."

A Carta ao Povo Brasileiro e o PT costurando apoios além esquerda
As eleições de 2002 trouxeram um Lula capaz de conciliar em direção ao centro, explorar a crise que apontava a ruptura de um modelo que esgotava o país ao longo de 8 anos de políticas recessivas.
Mas só o desgaste do governo FHC não seriam suficientes para eleger Lula, até porque Ciro e Garotinho também representavam a "novidade" eleitoral em 2002.
O PT e a formulação da Carta ao Povo Brasileiro, indicando respeito aos contratos já estabelecidos, representaram a grande jogada política da oposição naquele momento: apresentar propostas, consideradas factíveis por segmentos sociais que sempre tiveram receio de apoiar o PT, e fazê-lo simpático e eficiente para a dura travessia da crise que se sustentava e massacrava o povo trabalhador do país.  
A Carta ao Povo Brasileiro, em um contexto de grave crise econômica e social por qual passava o país, foi o passaporte para o PT e seus apoiadores ultrapassarem a faixa que dividia quem governava o país de quem apenas opunha "tudo aquilo que estava posto" aos olhos das pessoas comuns.

A armadilha criada pela grande imprensa, que a soterrou na credibilidade
Posto tudo isto acima, em parte, dá para entender porque a opinião pública, mesmo bombardeada diariamente, por informes negativos da atuação do governo federal em qualquer setor, o povo brasileiro apoiava Lula e apóia Dilma em sua grande maioria.

A grande imprensa foi vítima de sua própria artimanha.
Falar mal apenas, não é suficiente.
Nem pela oposição, nem pelos articulistas da grande imprensa conservadora.

A opinião pública quer é propostas, quer vislumbrar algo de diferente "de tudo aquilo que está posto", para arbitrar uma mudança de rumo ou não.

Ocorre que a oposição não tem ideias novas, não representa o conjunto majoritário da população e traz um pesado fardo de suas experiências danosas a imensa maioria do povo quando governo o país.
Por outro lado, o governo petista trouxe para a agenda política questões político-sociais inadiáveis de resolução, imprescindíveis para a redenção de dois terços da população que não costumava ser agraciada por políticas públicas do governo central.

A economia e o contexto social moldados nos dois governos Lula e mantidos por Dilma, elevaram a esquerda a um papel de formulador qualificado das soluções dos problemas históricos do Brasil, por mais que ainda precisem ser aprimorados, tais instrumentos são muito representativos do que "tudo aquilo que estava posto até 2002".

A falta de rumo da oposição no buraco do chororô
Não adianta apenas Aécio Neves, Serra ou FHC, escreverem artigos ou concederem entrevistas em espaços generosos da grande mídia brasileira, frequentemente, demonstrando contrariedade com o governo Dilma sem apresentarem, convincente e genuinamente, soluções para acelerar a resolução de grandes mazelas sociais do Brasil, que afligiu e ainda aflige, milhões de brasileiros, hoje muito menos milhões, segundo pesquisas científicas.

Não adianta mais Miriam Leitão, Reinaldo Azevedo, o Jornal Nacional, O Globo, Folha de São Paulo, Estadão, Veja, Época e afins, cutucarem o governo e, em uníssono, discursarem que o Brasil caminha a passos largos para o seu fim, ou de seus valores cristãos ou enquanto nação alicerçada por séculos de exclusão.  Somente isto não será mais suficiente para convencer a grande maioria do povo brasileiro a mudar o rumo.

O Brasil hoje é outro.  Lula e Dilma constroem o Novo Brasil, protagonista no tabuleiro das decisões mundiais, soberano e sólido economicamente.  Resolvendo, em curto espaço de tempo, problemas sociais estruturais de nossa História.

A opinião pública, em geral, foi adestrada pelos senhores da opinião, a não dar ouvidos ao chororô de perdedores, a não considerar ofensas e discursos raivosos como parte de uma solução mais ampla e eficaz.  
Isto é o que fazem, juntos, ensaiados e desesperados, a imprensa conservadora e a oposição.

O Globo e o modo recalcado de noticiar e afundar-se no descrédito
Sou morador do Rio de Janeiro e no caminho para o trabalho, geralmente, paro em alguma banca de jornal para ver as chamadas da primeira capa dos grandes jornais fluminenses, principalmente de O Globo, e impressiona que, diariamente, este jornal explore apenas notícias desfavoráveis ao governo.  Qualquer senão, qualquer frase solta de um contexto.

Penso que para as pessoas, que como eu leem tais manchetes, seja transmitida uma mensagem do recalque, como aquela pessoa que, indisfarçadamente, não gosta do outro de quem fala mal todo dia e, dessa forma, vê comprometida sua credibilidade frente ao conjunto da sociedade.

O risco da derrota do modelo que Dilma hoje é expoente, passa, necessariamente,  pelo esgotamento do das políticas que aí estão, o que pode ocorrer pela existência de uma grave crise conjuntural econômica ou social, ou ambas juntas, ou pela estagnação e acomodação do governo em seguir adiante e aprofundar mudanças necessárias para o conjunto da sociedade.

A lição da derrota do petismo em Porto Alegre em 2004
Creio que assim o PT perdeu em Porto Alegre com Raul Pont em 2004, pela exploração da oposição e da mídia de uma estagnação do modelo que o PT representava para a cidade e de que somente seus críticos poderiam se credenciar como solução a ser colocada em prática, a partir daquele momento.
E com a derrota, a pecha da acomodação e da estagnação viraram discurso corrente em 2008 e possivelmente agora em 2012.  O que pode explicar, em parte, as derrotas de 2004, 2008 e a incapacidade de montar um palanque petista capaz de derrotar seus adversários, convencendo a população e as forças progressistas que o modo petista de governar pode ser reinventado e radicalizado em prol da maioria.

O aprendizado das derrotas do PT em Porto Alegre, após quatro sucessivos bem avaliados governos municipais, deve servir de lição para o governo federal seguir mudando estruturas viciadas e aprofundando ações que beneficiem o povo brasileiro, em sua imensa maioria, tornando o discurso político dos opositores e as manchetes da mídia como clássicas reclamações sem embasamento e ineficazes dos perdedores.

Hoje o PT, apesar de toda a propaganda política extemporânea negativa capitaneada pela grande imprensa brasileira, não é mais mais encarado como um ente do atraso ou do mal, assim como os seus aliados, à esquerda.
Avançar na inclusão social de milhões, vencer a miséria, consolidar a soberania nacional e manter a economia nos trilhos são requisitos importantes para o projeto de poder do partido e de seus aliados firmes.
Mas o perigo da estagnação pode servir de cela para o cavalo que a oposição tanto aguarda para montar.

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